sexta-feira, 8 de março de 2019

HUMANITAS Nº 81 - MARÇO DE 2019 - PÁGINA CINCO

Carnaval: a festa dos prazeres mundanos
Texto extraído de Brasil Escola - brasilescola.uol.com.br/carnaval
Especial para o HUMANITAS

O carnaval é a festa mais popular do Brasil que, ao longo do tempo, tornou-se elemento da cultura nacional. Mas não é invenção brasileira nem realizada apenas aqui. A História do Carnaval remonta à Antiguidade, tanto na Mesopotâmia quanto na Grécia e em Roma.
Carnaval vem do latim, carnis levale, cujo significado é retirar a carne. O significado está relacionado com o jejum que deve ser realizado durante a quaresma e com o controle dos prazeres mundanos. Uma tentativa da Igreja Católica de enquadrar uma festa pagã.
Na antiga Babilônia, duas festas possivelmente originaram o que conhecemos como carnaval. As Saceias era uma festa em que um prisioneiro assumia durante alguns dias a figura do rei, vestindo-se como ele, alimentando-se da mesma forma e dormindo com suas esposas. Ao final, o prisioneiro era chicoteado e depois enforcado ou empalado.
Outro rito era realizado pelo rei nos dias que antecediam o equinócio da primavera, período de comemoração do ano novo.
O ritual ocorria no templo de Marduk, um dos primeiros deuses mesopotâmicos, onde o rei perdia seus emblemas de poder e era surrado na frente da estátua de Marduk. A humilhação servia para demonstrar a submissão do rei à divindade. Depois, ele novamente assumia o trono.
O que havia de comum nas duas festas e que está ligado ao carnaval era a subversão de papéis sociais: a transformação temporária do prisioneiro em rei e a humilhação do rei frente ao deus. A subversão de papeis sociais no carnaval, homens vestindo-se de mulheres e vice-versa, pode encontrar suas origens nessa tradição mesopotâmica.
As associações entre carnaval e orgias podem se relacionar às festas greco-romanas, como os bacanais (festas dionisíacas, para os gregos).
Seriam festas dedicadas ao deus do vinho, Baco (ou Dionísio, para os gregos), marcadas pela embriaguez e pela entrega aos prazeres da carne.
Havia ainda em Roma as Saturnálias e as Lupercálias. As primeiras ocorriam no solstício de inverno, em dezembro, e as segundas, em fevereiro, que seria o mês das divindades infernais, mas também das purificações. Tais festas duravam dias com comidas, bebidas e danças.
Os papéis sociais também eram invertidos temporariamente, com os escravos colocando-se nos locais de seus senhores, e estes se colocando no papel de escravos.
Mas tais festas eram pagãs. Com o fortalecimento de seu poder, a Igreja não via com bons olhos as festas.
Nessa concepção do cristianismo, havia a crítica da inversão das posições sociais, pois, para a Igreja, ao inverter os papéis de cada um na sociedade, invertia-se também a relação entre Deus e o demônio.
A Igreja Católica buscou então enquadrar tais comemorações. A partir do século VIII, com a criação da quaresma, tais festas passaram a ser realizadas nos dias anteriores ao período religioso.
A Igreja pretendia, dessa forma, manter uma data para as pessoas cometerem seus excessos, antes do período da severidade religiosa.
Durante os carnavais medievais no século XI, no período fértil para a agricultura, homens se fantasiavam de mulheres e saíam às ruas e campos durante as noites. Diziam-se habitantes da fronteira do mundo dos vivos e dos mortos e invadiam os domicílios, com a aceitação dos que lá habitavam, fartando-se com comidas e bebidas, e também com os beijos das jovens das casas.
Durante o Renascimento, nas cidades italianas, surgia a commedia dell'arte”, teatros improvisados cuja popularidade ocorreu até o século XVIII. Em Florença, canções foram criadas para acompanhar os desfiles, que contavam ainda com carros decorados, ostrionfi”. Em Roma e Veneza, os participantes usavam a bauta”, uma capa com capuz negro que encobria ombros e cabeça, além de chapéus de três pontas e uma máscara branca.
A história do carnaval no Brasil iniciou-se no período colonial. Uma das primeiras manifestações carnavalescas foi o entrudo, uma festa de origem portuguesa que na colônia era praticada pelos escravos. Depois surgiram os cordões e ranchos, as festas de salão, os corsos e as escolas de samba. Afoxés, frevos e maracatus também passaram a fazer parte da tradição cultural carnavalesca brasileira. Marchinhas, sambas e outros gêneros musicais também foram incorporados à maior manifestação cultural do Brasil.

Nenhum comentário:

Postar um comentário