EDITORIAL
Nunca
esquecer
Já
disseram que os brasileiros não possuem memória. Já disseram que os brasileiros
gostam de esquecer momentos ruins do passado e fazer com que esses momentos
voltem a fazer parte do seu cotidiano.
Na verdade, não há como ser contra esse
tipo de pensamento, pois grande parte da população brasileira prefere viver no
ostracismo do conhecimento e acreditar em fantasias e em mentiras inventadas
pelos poderosos de plantão.
Neste Humanitas de junho recordamos
um homem que conseguiu reinventar a linguagem e que se tornou um dos maiores
escritores do Brasil e do Mundo.
Assim, na primeira página colocamos a foto
em destaque do grande João Guimarães Rosa, e na página 8 fornecemos aos
leitores uma ideia mínima sobre quem foi esse médico, diplomata, poeta e
escritor mineiro.
O Humanitas tem memória e gosta de
trazer às mentes menos esclarecidas fatos e nomes de um passado recente.
Também lembramos aqui que neste mês temos o
Dia Mundial do Meio Ambiente (5 de junho) e que essa data serve para refletir
sobre o que estamos fazendo para proteger nossa casa, que é este nosso planeta.
Todos nós somos vítimas das ações de muitos
humanos poderosos, sejam ou não governantes do mundo. A destruição do planeta
está a cada dia se acelerando devido à ambição de uns poucos, e todos nós somos
vítimas das marcas deixadas por esses criminosos.
Agrotóxicos, atmosfera, rios e mares
poluídos estão por toda parte, assassinando o planeta Terra com o beneplácito
dos governos corruptos.
O meio ambiente em que vivemos,
trabalhamos, onde fomos criados e que também nos nutre, deixou de ser saudável
e isso é uma realidade insofismável.
Temos de lutar contra isso. Temos de lutar
a favor da vida.
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Uma mulher para ser sempre lembrada
Texto extraído da Internet
Imaginem
uma mulher no fim dos anos de 1930 se separar do marido já com um filho, ir trabalhar fora e casar-se de novo, numa época em que nem
existia o divórcio. Imaginem agora se essa mesma mulher tivesse dado ouvidos a
pessoas que diziam: "Não, Aracy,
você não pode fazer isso, pois você é mulher e isso é errado aos olhos de
Deus".
Paranaense, filha de pai português e mãe
alemã, ainda criança foi morar com os pais em São Paulo. Em 1930, Aracy casou
com o alemão Johann Eduard Ludwig Tess, mas cinco anos depois se separou, indo
morar com uma tia na Alemanha.
Por falar quatro línguas (português,
inglês, francês e alemão), conseguiu uma nomeação no consulado brasileiro em
Hamburgo, onde passou a ser chefe da Secção de Passaportes.
No ano de 1938, entrou em vigor, no Brasil,
a Circular Secreta 1.127, que restringia a entrada de judeus no país. Um acordo
assinado entre a Alemanha de Hitler e o governo brasileiro.
Aracy ignorou a circular e continuou preparando
vistos para judeus, permitindo sua entrada no Brasil. Como despachava com o
cônsul geral, ela colocava os vistos entre a papelada para as assinaturas.
Para obter a aprovação dos vistos, Aracy
simplesmente deixava de pôr neles a letra J, que identificava quem era judeu. Nessa
época, João Guimarães Rosa era cônsul adjunto (ainda não eram casados).
Ele soube do que ela fazia e apoiou sua atitude
e Aracy intensificou aquele trabalho, livrando muitos judeus da prisão e da
morte.
Aracy permaneceu na Alemanha até 1942,
quando o governo brasileiro rompeu relações diplomáticas com aquele país e
passou a apoiar os Aliados da Segunda Guerra Mundial. Seu retorno ao Brasil,
porém, não foi tranquilo.
Ela e Guimarães Rosa ficaram quatro meses
sob custódia do governo alemão, até serem trocados por diplomatas alemães.
Aracy e Guimarães Rosa casaram-se, então,
no México, por não haver ainda, no Brasil, o divórcio.
O livro de Guimarães Rosa "Grande Sertão: Veredas",
de 1956, foi dedicado a Aracy.
Sua biografia inclui também ajuda a
compositores e intelectuais durante o regime militar implantado no Brasil em
1964.
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