O jornal HUMANITAS é uma publicação mensal e SEM FINS LUCRATIVOS, bancada por um grupo de livres
pensadores brasileiros. O jornal é distribuído gratuitamente em todas as
regiões do Brasil, na Espanha e em Portugal. O grupo que colabora para a
existência deste periódico é formado pelo jornalista e editor-geral Rafael
Rocha (Recife/PE), pela jornalista e escritora Ana Maria Leandro (Belo
Horizonte/MG), pelo médico Antônio Carlos Gomes (Santos/SP), pelo advogado e
escritor Valdeci Ferraz (Recife/PE), pelos autodidatas Francisco Assis Coelho
(Recife/PE), Manfred Grellmann (Camaragibe/PE), Ivani Medina (Rio de
Janeiro/RJ), Cristina Obredor (Rio de Janeiro/RJ), Jorge Oliveira de Almeida
(Rio de Janeiro/RJ), pelo mestre em História Thomas de Toledo Stella (São Paulo/SP),
pelas mestras em História, Jacqueline Ventapane (Rio de Janeiro), Aline
Cerqueira (Salvador /BA), Sarita Cordeiro (Salvador/BA) e pelos escritores
Araken Vaz Galvão (Valença/BA), Pedro Rodrigues Arcanjo (Olinda/PE), Juarez
Pedrossiano Goitá (Fortaleza/CE), Gilberto Nogueira de Oliveira (Nazaré/BA), pelo ecólogo Perimar Moura (Ilhéus/BA), tendo
como suporte em Lisboa (Portugal) e em Madrid (Espanha), a arquiteta e
historiadora brasileira Carmén Bragança Vázquez.
domingo, 14 de agosto de 2016
quarta-feira, 27 de julho de 2016
HUMANITAS Nº 50 – AGOSTO 2016 – EDIÇÃO DE ANIVERSÁRIO – PÁGINA 8
AGOSTO, HUMANITAS E SUPERSTIÇÕES
Especial para o Humanitas
Rafael Rocha é
jornalista, poeta e editor-geral deste Humanitas.
Mora no
Recife/PE
Neste
mês em que o HUMANITAS completa quatro anos de existência seria de bom
tom recordar a difamação que agosto ganha por meio dos supersticiosos.
Em todo o mundo, especialmente nos países
latinos, agosto é o mês das assombrações, dos azares, das infelicidades, das
coisas horríveis que acontecem com as pessoas. Isso é o que diz o folclore. E,
inclusive, agosto é o mês do folclore.
As pessoas supersticiosas acreditam nessa
má fama que o mês possui, arraigada desde épocas remotas. Assim, muitos deixam
de casar, deixam de fazer negócios e mudar de residência e ainda acreditam em
bruxas como se estivessem vivendo na Idade Média.
Como mês do folclore no Brasil, agosto traz
à tona as maiores riquezas de nossas tradições e crenças populares, também
existentes em todos os meses do ano.
A cultura de um povo, em primeiro plano, é
medida por suas tradições folclóricas que jamais deveriam ser contaminadas por
uma visão prática da vida. A riqueza cultural brasileira está sendo mantida em
ebulição e cheia de vivacidade no Nordeste, Norte e no Centro-Oeste do país.
Ainda que agosto seja considerado rima de
desgosto devemos levar em conta que as superstições inerentes ao mês fazem
parte do folclore de cada nação.
Os nossos vizinhos argentinos acreditam que
lavar a cabeça e os cabelos nesse mês vai dar azar a quem fizer isso. “No lavarse la cabeza em el mês de agosto
porque se llama a la muerte”, diz um ditado argentino.
Muitos fatos ocasionaram esse estigma. Em
agosto ocorreram coisas ruins tanto no âmbito natural do planeta como no
político. É difícil afirmar qual a origem exata
dessa crendice. Sabemos, sim, que foram os romanos quem deram este nome ao
oitavo mês do ano, numa homenagem ao imperador Augusto.
Os romanos,
naquela época, já acreditavam no mau agouro do mês, período em que uma criatura
horripilante cruzava os céus da cidade expelindo fogo pelas ventas, mas a
criatura era nada mais e nada menos que a constelação de Leão.
O dia 24 de agosto
de 1572 ficou gravado na História quando, por ordem de Catarina de Médici,
rainha da França, ocorreu o massacre da noite de São Bartolomeu. Matança
promovida pelos católicos franceses e que praticamente dizimou os crentes
huguenotes habitantes de Paris. Outros fatos também marcam o mês de agosto como
nefasto: no Brasil a superstição ganhou mais fama ainda no inicio da Primeira
Guerra Mundial que eclodiu no dia 1º de agosto de 1914.
Eis uns versos publicados no “Correio da Manhã”, do Rio de
Janeiro: “Mês terrível, funesto mês
de agosto/ Mês de desgosto, mês trágico e fatal!/ Soou pelo espaço o tom da
guerra/ Corre na terra sangue em caudal”.
Na área política, o suicídio de Getulio
Vargas em 24 de agosto de 1954 e a renúncia de Jânio Quadros em 25 de agosto de
1961, incrementaram ainda mais a ideia de mês fatídico.
Luiz Gonzaga, o nordestino Rei do Baião,
morreu em 2 de agosto de 1989; o poeta Carlos Drummond de Andrade, em 17 de
agosto de 1987; Hiroshima foi destruída por uma bomba atômica no dia 6 de
agosto de 1945; o Muro de Berlim começou a ser construído em 13 de agosto de
1961.
Mais: em 2 de agosto de 1976 morreu
Juscelino Kubitschek outro ex-presidente do Brasil, em acidente
automobilístico; e no dia 12 de agosto de 1985 ocorreu o maior desastre da
aviação que matou 524 pessoas
Não devemos acreditar no azar ou na sorte.
O mês de agosto é igual a tantos outros meses, apenas a tradição folclórica
resolveu colocá-lo no pedestal de mês fatídico como podia ter colocado qualquer
outro mês do ano.
Um
bom exemplo disso é que este HUMANITAS nasceu no 1º dia de agosto de
2012 e sempre estamos aqui a comemorar essa data com o ufanismo comum a todos
os livres pensadores.
HUMANITAS Nº 50 – AGOSTO 2016 – EDIÇÃO DE ANIVERSÁRIO – PÁGINA 7
Antes da chegada dos cristãos
europeus os nativos
norte-americanos reconheciam
cinco gêneros
Especial para o Humanitas
Francine Oliveira é Mestra em Teoria Literária e Crítica da
Cultura.
Mora em Juiz
de Fora-MG
Muitos conservadores continuam a insistir em
uma “ideologia de gênero” que
negaria a “natureza” humana ao
afirmar que os gêneros são culturalmente construídos.
Para eles, só
existiriam dois gêneros, correspondentes aos sexos “masculino e feminino”,
algo que já estaria determinado por "Deus"
antes do nascimento.
No entanto, a “ideia
restrita dos papéis de gênero” como
a conhecemos hoje, baseada no binário homem/mulher, apenas foi incorporada pelas
tribos norte-americanas após a chegada dos europeus, com a imposição das
crenças cristãs.
A visão diferenciada
dos gêneros, que existia em muitas comunidades indígenas, não apenas na América
do Norte, mostra como a cultura de um povo influencia os papéis de gênero e a
maneira como enxergamos as expressões e
sexualidades de acordo com nossas crenças. .
Para os nativos
norte-americanos, havia um grupo de regras específicas que tanto homens quanto
mulheres deveriam obedecer para que fossem considerados “normais” dentro de uma tribo.
Segundo o site “Indian Country Today”, especializado em
notícias sobre povos indígenas, entre os índios norte-americanos eram
reconhecidos cinco gêneros diferentes: masculino, feminino, dois-espíritos
masculino, dois-espíritos feminino e o que hoje chamaríamos de transgênero.
As nomenclaturas são
diferentes para cada tribo, de acordo com os dialetos, mas referem-se a
identidades de gênero semelhantes.
A crença dos indígenas
norte-americanos era a de que algumas pessoas nasciam com um espírito feminino
e outro masculino que se expressavam perfeitamente em um mesmo corpo.
Não havia questões
morais associadas nem aos gêneros nem à sexualidade; uma pessoa era julgada
pela sociedade conforme seu caráter e de acordo com o que contribuía para a
tribo.
Desde 1989, nativos americanos
que militavam pela diversidade sexual e de gêneros resgataram o termo dois-espíritos
(em inglês, two-spirit) para reafirmar sua identidade trans.
Assim, dois-espíritos
passou a ser uma expressão universal para identificar nativos e seus
descendentes, que se considerassem transgênero, entre as tribos norte-americanas.
Quando chegaram ao
território norte-americano, exploradores que testemunharam a presença desses
indivíduos que não se encaixavam no padrão binário do masculino e feminino
consideraram aquilo um pecado, uma espécie de maldição que recaiu sobre aquelas
comunidades por não se dedicarem ao cristianismo.
A extinção das crenças
nativas também aconteceu por todo o continente americano.
Colonizadores
espanhóis também se empenharam em destruir códices (manuscritos gravados em
madeira) astecas que mencionavam dois-espíritos e seus poderes mágicos.
No
Brasil, os portugueses igualmente se esforçaram para erradicar as identidades
de gêneros e comportamentos sexuais que hoje seriam considerados transgeneridade
e homossexualidade.
HUMANITAS Nº 50 – AGOSTO 2016 – EDIÇÃO DE ANIVERSÁRIO – PÁGINA 6
História escrita durante quatro anos
pelos
colaboradores humanistas
........................................
O homem é e será sempre o
centro de todas as coisas
Ser
humanista é exaltar as potencialidades do homem e afirmar sua dignidade.
É valorizar o homem como um ser em busca de
si mesmo e de seu desenvolvimento.
É ver o homem como um ser livre e autônomo
que faz suas escolhas e define o seu sentido.
O Humanismo considera o homem como centro
de todas as coisas e o seu valor como ser humano é infindável.
O homem conta com ele mesmo e só pode
confiar em sua própria percepção de mundo, em seus sentidos, em seus critérios,
em suas potencialidades.
Não queremos dizer que o homem deve tender
ao individualismo ou ao egoísmo.
Propomos que ele se desfaça das ideias
preconcebidas das religiões e das superstições milenares e conheça a verdade
das coisas para se autodeterminar.
Que seja um ser digno, conhecendo seus
direitos, respeitando e dignificando os direitos de todos os seres humanos
deste planeta.
É esse sentido e apenas essa filosofia que
os colaboradores deste HUMANITAS seguem. Qualquer outro tipo de Humanismo
que não tenha o homem como centro de todas as coisas é charlatão.
Quatro anos se passaram e a nossa busca do
conhecimento e da verdade continua sendo nossa linha editorial que, diga-se de
passagem, muito nos agrada e nos faz felizes.
Saudações do Editor
HUMANITAS Nº 50 – AGOSTO 2016 – EDIÇÃO DE ANIVERSÁRIO – PÁGINA 5
O TERRORISMO CRISTÃO NO MUNDO (Parte
final)
Especial para o Humanitas
Pedro Rodrigues Arcanjo - Olinda/PE
Semelhança com o atual fundamentalismo
islâmico não
é mera coincidência
******
No ano de 1961 ocorre a última edição do Índex
(Índex Additus Librorum Prohibitorum),
que proibiu para leitura pelos católicos, ainda no século XX, obras de
Jean-Paul Sartre, Alberto Moravia, André Gide e outros.
A Igreja Católica
Romana, depois de um período de aparente liberalização sob as ordens do papa
João XXIII, elege como Sumo Pontífice o polonês Karol Józef Wojtyła que adota o nome de João
Paulo II. Esse papa rende-se às mais terríveis tradições da Igreja.
Entre as suas ações
destacam-se a condenação do preservativo, como modo de luta contra a Aids. Isso
provoca a ocorrência de muitas mortes pelo planeta até hoje difícil de estimar.
O novo papa também
orienta os bispos, padres e demais religiosos a seguirem e colocarem em prática
uma política ativa de sabotagem às medidas de controle da natalidade.
As consequências podem
ser medidas em termos de fome, miséria, criminalidade e falta de assistência
médica nos continentes mais pobres, entre eles a América do Sul e a África.
Ele faz retornar a
caçada aos hereges em pleno século XX, suspendendo A divinis dois teólogos alemães que ousaram duvidar, um da
infalibilidade papal, e o outro da imaculada concepção de Maria.
A partir de 1981, o papa João Paulo II
recebeu, muitas vezes, agentes da CIA norte-americana no Vaticano. Nesses
encontros, os americanos contavam ao Pontífice suas estratégias no mundo
inteiro.
Por seu lado, o papa transmitia dados
coletados em todos os continentes pela extensa rede de bispos e padres da
Igreja Católica.
O Vaticano durante a gestão de João Paulo
II adotou também a política de nunca criticar os norte-americanos, mesmo se
isso significasse apoiar ditaduras na América Latina.
Em um livro lançado em fevereiro de 2005 no
Brasil, o papa João Paulo II considera muito relativo um dos valores mais
entranhados do nosso tempo: a democracia. Ele diz que o importante é
viver com e em Cristo – e questiona as democracias laicas, que ele considera
uma nova forma de totalitarismo.
O papa João Paulo II acabou com as mudanças
liberalizantes do Concílio Vaticano II e perseguiu dissidentes. Sob o comando
do cardeal alemão Joseph Ratzinger, que depois seria seu sucessor, a
Congregação pela Doutrina da Fé, que sucedeu à Inquisição, acusou muitos
clérigos e teólogos.
Qualquer um que ousasse defender casamento
de padres, ordenação de mulheres ou outras teses polêmicas era obrigado a se
calar. Os julgamentos não davam direito à defesa e alguns réus nem sabiam que
estavam sendo investigados.
Uma das regiões do mundo onde mais gente
foi punida nessa época pela Igreja Católica foi a América Latina. O povo
latino-americano viveu sob ditaduras sanguinárias durante muito tempo, mas não
eram ditaduras comunistas.
Nos anos 1970, bispos latino-americanos
desenvolveram nova maneira de ver a religião, criando a Teologia da Libertação.
Eles pregavam um retorno aos primeiros tempos do cristianismo, quando as
comunidades viviam sob o jugo do Império Romano. Seria função da Igreja
resistir à opressão e defender os pobres contra os ricos.
O papa João Paulo II, porém, via na
Teologia da Libertação apenas uma coisa: comunismo. O frei brasileiro
Leonardo Boff foi um dos religiosos expulsos da Igreja Católica pelo papa por
professar esse tipo de ideia.
Nos anos 1990 os
dirigentes mundiais tentaram descrever as guerras ocorridas nesse período como
sendo guerras étnicas. Na verdade, foram guerras religiosas.
O caso da guerra da
Croácia é o mais flagrante. Sérvios e croatas têm a mesma origem étnica e até a
mesma língua, o croata-servo. O mais irônico é que servo-croata, escrito em
caracteres latinos, é hoje a língua oficial dos soldados do exército iugoslavo
que combateu em Kosovo contra a OTAN, depois de ter lutado contra os croatas no
início dos anos 1990.
A religião separa
tudo! Os croatas foram
cristianizados por Roma. São católicos. Os sérvios foram cristianizados pelos
bizantinos e são ortodoxos.
Quando Slobodan Milošević
começa a agitar o espectro da Grande Sérvia, a Croácia declara a
independência. Imediatamente, o Vaticano e a Alemanha, cujo chanceler se
declarava um católico convicto, reconhecem a Croácia católica como estado
independente.
O Vaticano pediu que
os países reconhecessem o novo estado católico e o papa João Paulo II
multiplicou os apelos pela independência da Croácia.
As guerras da Iugoslávia são um caso
emblemático da catastrófica intolerância que é típica das religiões reveladas.
HUMANITAS Nº 50 – AGOSTO 2016 – EDIÇÃO DE ANIVERSÁRIO – PÁGINA 4
O TERRORISMO CRISTÃO NO MUNDO (Parte 9)
Especial para o Humanitas
Pedro Rodrigues Arcanjo - Olinda/PE
Semelhança com o atual fundamentalismo islâmico não
é mera coincidência
******
O Zentrum, partido católico na Alemanha,
cujo líder era o prelado católico Prälat Ludwig Kaas, vota plenos poderes para
o chanceler Adolf Hitler, em janeiro de 1933. Com essa ação, Hitler pôde
atingir a necessária maioria de dois terços para suspender os direitos
garantidos pela Constituição.
O bom prelado católico também aceita fechar os olhos para
os procedimentos dos nazistas, como a prisão dos deputados comunistas antes da
votação.
A seguir, a Igreja Católica negocia nova concordata com a
Alemanha, sacrificando o Zentrum, que até aquele momento era o único partido
significativo que os nazistas não proibiram. Na realidade, esse partido tinha
ajudado Hitler a alcançar o poder.
No dia 5 de julho de 1933, o Zentrum é dissolvido sob
solicitação da hierarquia católica, deixando o caminho livre para o NSDAP de
Hitler, então partido único.
Hitler declara-se católico no Mein Kampf, livro onde ele anuncia seu programa político e nele
também afirma que está convencido de ser um instrumento de deus na
terra.
A Igreja Católica jamais colocou o Mein Kampf no seu Índex.
Portanto, podemos acreditar que o programa antissemita do futuro chanceler
alemão agradava à Igreja.
Hitler mostrará o seu reconhecimento tornando obrigatória uma
prece a Jesus nas escolas públicas alemãs e reintroduzindo a frase Gott
mit uns (Deus está conosco) nos uniformes do exército alemão.
No ano de 1938, as SS e SA hitleristas organizam a Noite de Cristal. Com trajes
civis, os milicianos nazistas atacam sinagogas e lojas pertencentes a judeus. A
população alemã fica horrorizada e aterrorizada.
O bispo católico de Freiburg, monsenhor Gröber, declara
então, em resposta às perguntas sobre as leis racistas e os pogroms da Noite de Cristal: Não
podemos recusar a ninguém o direito de salvaguardar a pureza da sua raça e de
elaborar medidas necessárias a esse fim.
Mais além das terras alemãs, na Espanha, um general tenta um
golpe de estado militar, que é abortado, mas termina por se transformar em uma
guerra civil. Ele é apoiado pela Igreja de Roma e os padres e bispos benzem os canhões do general Francisco Franco Bahamonde, celebrando com
muita pompa o Te Deum pelas
suas vitórias contra o governo republicano legítimo.
Essa guerra civil enche as terras espanholas com mais de um milhão de mortos.
O general Franco fuzila
todos os que foram feitos prisioneiros e depois mostra reconhecimento aos seus piedosos aliados, nomeando
diversos membros da Opus Dei para o
seu governo.
A influência da Opus
Dei crescerá ao longo da ditadura franquista, ao ponto de mais de metade
dos ministros serem membros dessa venerável instituição católica cristã.
Na França, já sob domínio alemão, a Igreja Católica
Apostólica Romana declara, que desde 1940 Petain é a França, e
os bispos e padres mostram horror ao termo Liberté-Égalité-Fraternité
preferindo o termo fascista Trabalho-Família-Pátria.
Durante a 2a Guerra Mundial, o Vaticano sabia do
extermínio dos judeus. Só após o fim do conflito soube-se que o papa Pio XII se
absteve de condenar o extermínio devido à sua comunistofobia, por considerar que uma vitória soviética
seria muito pior.
Em 1948, o papa Pio XII declara que todo cristão que votar
nos comunistas ou que ajudar esse partido será excomungado. Essa medida dividiu
as famílias, provocando exclusões socialmente intoleráveis para muitos, e
levando numerosos comunistas a se tornarem clandestinos nas zonas rurais.
Os prelados italianos apressaram-se a traduzir essa
decisão em fatos, pedindo que os católicos votassem no grande partido
anticomunista (DC - Democrazia Cristiana). No futuro, o DC será desmoralizado,
ao se afundar na corrupção generalizada dos anos 1990.
terça-feira, 26 de julho de 2016
HUMANITAS Nº 50 – AGOSTO 2016 – EDIÇÃO DE ANIVERSÁRIO – PÁGINA 3
REFÚGIO POÉTICO COM
QUADRO/POEMA INVICTUS DE ERNEST HENLEY NA TRADUÇÃO DE ANDRÉ MASINI
............................
CARTAS DOS LEITORES
Com
muita satisfação congratulo-me com o jornal Humanitas e com o amigo Rafael Rocha, pelo aniversário dessa
fonte inesgotável de rara apreciação. O título já diz tudo o que todos
gostariam de dizer, mas não encontravam palavras até o momento da leitura. Pelo
menos, comigo aconteceu demais. Daí me veio a grata e prazerosa constatação de
que, na verdade, somos todos tão diferentes para sermos profundamente iguais.
Obrigado, jornalista Rafael Rocha. O Humanitas
nos mostra isso. Um carinho na consciência é o que esse jornal nos vem
oferecendo como alternativa à mediocridade reinante. Sucesso sempre! Ivani Medina – Rio de Janeiro/RJ
***
O Humanitas é o espaço fiel dos
livres pensadores, Parabéns! Kátia Rocha
– Recife/PE
***
Nesses
dias em que a velocidade das informações
coincide em ser diretamente proporcional à sua superficialidade, o Humanitas é um sopro de vida e
inteligência para além do trivial. Suas matérias tratam, dentro da diversidade
de temas, de fatos que importam para a sociedade, mesmo que parte dela sequer
se dê conta, trazendo reflexões sempre pertinentes. Orgulhosamente digo que
faço parte da família Humanitas,
contracenando com grandes expoentes do pensamento humano, colunistas nesse
espaço. Parabéns por mais um ano de existência. Perimar Moura – Ilhéus/BA
***
Felicitaciones
por el cuarto aniversario, Humanitas!
Carmén Vazquez – Barcelona/Espanha
***
Parabéns
ao Humanitas e aos seus
leitores. Paulo Gualberto – Recife/PE
***
Parabéns, Humanitas! João
Marcus – Recife/PE
***
Muito
me apraz constatar que o Humanitas
vem conseguindo sobreviver mesmo em períodos de crise. Neste agosto aniversaria
mais uma vez. Se não pudermos expressar
nossas ideias através deste jornal, que outro veículo poderá
oferecer-nos essa facilidade? Simplesmente não existe! Que o Humanitas seja como o aço
inoxidável, que não se deteriora, que está sempre a brilhar! Jorge Oliveira de Almeida – Rio de
Janeiro/RJ
***
Não
poderia deixar de registrar meus parabéns ao jornal Humanitas, que em sua trajetória tem contribuído de maneira
muito competente para a divulgação da cultura neste país tão carente disso. Que
sua jornada continue com sucesso sob o comando de meu amigo Rafael Rocha! Celso Mendes – Itapira/SP
***
Neste
mundo de mentiras, o jornal Humanitas
é uma grande referência para a juventude ávida de informações e em busca de
verdades históricas. Parabéns ao seu editor-geral Rafael Rocha, que não por
acaso tem esse sobrenome forte e verdadeiro. Meus parabéns ao jornal da verdade
e que tenha muitos anos de vida, pois ele é necessário à cultura popular. Gilberto Nogueira de Oliveira – Nazaré/BA
***
Nestes
quatro anos do Humanitas pude
deliciar-me com a diversidade de opinião, conhecer a opinião de ateus e
agnósticos, ler ótimos artigos e poetas, tudo que é inexistente em nossa
imprensa direcionada a formar opiniões únicas. Parabéns, Humanitas! Antonio
Carlos Gomes – Guarujá/SP
***
Desejo
de coração vida longa ao Humanitas.
Juarez Pedrossiano Goitá – Fortaleza/CE
***
Humanitas, meus parabéns pelo seu quarto aniversário! Pedro Rodrigues Arcanjo – Recife/PE
***
Parabéns, Humanitas!
Roberto Arruda Pessoa de Castro – Santos/SP
HUMANITAS Nº 50- AGOSTO 2016 - EDIÇÃO DE ANIVERSÁRIO – PÁGINA 2
EDITORIAL
Vida longa para o HUMANITAS
Neste
mês de agosto estamos vivenciando mais um aniversário deste Humanitas, o jornal dos livres
pensadores.
Esta edição de número 50 marca uma extensa
gama de ideias e ideais proclamados durante quatro anos em benefício da cultura e da raça humana.
Do Recife para o Brasil e para o Mundo, o Humanitas defende com denodo a
verdade histórica, sempre em contato direto com o ideal humanista que tem o homem como centro de todas as coisas e
acima de deuses e de superstições.
Todos os colaboradores desta publicação
são responsáveis pela concretização de mais um ano de existência deste jornal.
A eles, os nossos parabéns. A eles, o
pedido maior para que continuem a postos sempre em defesa da humanidade.
Eis aqui nosso apreço para Antônio Carlos
Gomes (SP), Ana Maria Leandro (MG), Perimar Moura (BA), Manfred Grellmann (PE),
Francisco de Assis Coelho (PE), Jacqueline Ventapane (RJ), Cristina Obredor
(RJ), Ivani Medina (RJ), Rod Brito (RJ), Juarez Pedrossiano Goitá (CE), Sarita
Cordeiro (BA), Pedro Rodrigues Arcanjo (PE), Gilberto Nogueira (BA), Araken Vaz
Galvão (BA), Thomas de Toledo (SP), Carmén Vázquez (Espanha/Portugal) e outros
colaboradores.
Uns ajudando financeiramente. Outros
ajudando na editoração e distribuição. Mas todos eles irmanados na certeza de
que estão a seguir o rumo da verdade neste caótico início de século.
Neste mês em que completa quatro anos, o Humanitas reconhece que a
solidez de princípios e a defesa da verdade histórica devem sempre vir em
primeiro lugar, de forma tal, que possam desmascarar as mentiras das mídias
empresariais e religiosas que tentam dominar as consciências, o País e o Mundo.
Seremos sempre contrários a todos os que
exploram o homem através da mentira religiosa e do poder político.
Os que fazem isso apenas pretendem dominar
e atrasar o desenvolvimento do homem como o próprio autor dos seus dias e de
suas histórias no mundo.
Vida longa para o Humanitas!
..........................................
UMA CARTA DE PARABÉNS BASTANTE ESPECIAL
Prezado humanista Rafael Rocha:
Devo
ao amigo comum Wladimir Gomide a satisfação de ter te conhecido, pelo menos te
ter conhecido por leitura mútua de textos e troca de correspondência, porque o
momento de nos encontrarmos infelizmente ainda não chegou.
E esta
constatação leva-me a declaração que Pablo Neruda fez ao se despedir de Thiago
de Mello, quando este teve que abandonar seu exílio no Chile: Lejos, mas no separados, distante, pero
infinitamente cerca, o que, no nosso caso, criaria uma contradição, pois
não estamos nos separando, mas aprofundando nosso contato.
Milagre das
letras ou da literatura se quiseres ser suficientemente tolerante para com este
escrevinhador que ora se dirige a ti.
Referia-me a
Wladimir Gomide, que fez a aproximação entre nós; gesto nobre que, talvez,
tenha resultado em um equívoco, já que eu, como escrevinhador, sou ligado mais
à ficção, com particular ênfase para com os textos longos ou de períodos mais
longos ainda – coisa que, diga-se de passagem, está em desuso.
Mas eu, do alto
do orgulhoso pedestal que quase 80 anos de vida ergueram para mim, teimo em
postar-me (mais orgulhoso ainda), sem omitir, porém algo que escrevi quando
morava no Peru – sem saber que seria a confissão básica de minha vida -
consubstanciada na sentença: Vês, digo
coisas que não creio e creio em coisas que não digo.
Prezado Rocha,
e ao evocar teu nome, algo sou obrigado a te dizer, pois me vem à mente outra
sentença, esta basilar, de um cantador do Ceará, o cego Aderaldo, em seu embate
com Zé Pretinho do Tucum, o que (na voz do segundo) diz: (...) Sou bravo como um leão/ Sou forte como uma
penedo/ é um dia, é um dedo, é um dado/ É dado, é um dia, é um dedo.
E eu, como se
estivesse fazendo a segunda voz (e sabendo que com a viola na mão, frente a ti,
iria perder o desafio), lembro-te (se fosse o caso) que penedo é o mesmo que
rocha – teu sobrenome –, material com que são cinzelados os homens de tua
têmpera, com teu caráter, com teu conhecimento.
Com esta frágil
metáfora, desejo expressar a alegria de ter te conhecido e da honra de
julgar-me teu amigo. E, desta forma, parabenizar-te pela criação do Humanitas e pelo seu 4º
aniversário. Araken Vaz Galvão –
escritor - Valença/BA.
sexta-feira, 22 de julho de 2016
HUMANITAS – EDIÇÃO DE ANIVERSÁRIO Nº 50 – PÁGINA 1
SAUDAÇÕES À LIBERDADE DE PENSAMENTO!
QUATRO ANOS DE EXISTÊNCIA!
Do Recife para o Brasil e para o Mundo o HUMANITAS defende com denodo a
verdade histórica, sempre em contato direto com o ideal humanista que tem o
homem como centro de todas as coisas e acima de deuses e superstições (página 6).
..................................
A PIEDADE CRISTÃ PREGADA PELOS PAPAS
Texto de Pedro Rodrigues Arcanjo (páginas 4 e 5 - Final)
O papa Pio XII se absteve de condenar o extermínio dos judeus
pelos nazistas devido à sua comunistofobia, por considerar
que uma vitória soviética seria muito pior.
Já o papa João Paulo II, outro que seguia a mesma linha da
comunistofobia, considerava as democracias laicas
uma nova forma de totalitarismo.
.......................................
Na PÁGINA 2 o escritor Araken Vaz Galvão
parabeniza o HUMANITAS pela passagem de
mais um ano de existência, com uma
mensagem bastante especial.
..............................
A mestra de Crítica Literária, Francine Oliveira,
diz na PÁGINA 7 que antes da chegada dos europeus
os índios dos EUA reconheciam cinco gêneros.
.................................
AGOSTO
Na PÁGINA 8, o jornalista Rafael Rocha
disseca as crendices e os acontecimentos
que marcaram o folclore do mês de agosto.
Até as bruxas da Idade Média retornam
nesse mês prontas para assustar
as pessoas supersticiosas.
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