segunda-feira, 2 de março de 2015

HUMANITAS Nº 33 – MARÇO DE 2015 – PÁGINA 3

REFÚGIO POÉTICO

Passo 
Antonio Carlos Gomes - Guarujá/SP
Passo
Sou limitado
Não deixo marcas
Nem saudades
A vida é passar
E evaporar
Quantas espécies
E quantas eras
Passaram
No pequeno mundo?
Não há marcas
Nem saudades
Sem registros
Não há nomes
Sem nomes
Não há passagens
Passo
Apenas passo
Não há porque aparecer
Pois a única realidade
É o perecer
Sem deixar saudades
.......................
Se eu morrer amanhã 
Valdeci Ferraz – Caruaru/PE

Se eu morrer amanhã morrerei feliz
Porque minha amada beijou-me a face
E um amigo deu-me um abraço.
Se eu morrer amanhã morrerei feliz 
Porque os meus olhos contemplaram a alva
E a última nota se harmonizou em um acorde perfeito.
A minha fantasia deixo aos loucos
Os meus versos aos excluídos
E o meu sorriso para as carpideiras
Meu corpo inerte guardará todos os segredos
E o beija-flor sugará de todas as flores
As lágrimas que verti pela ausência de alguém
Deitar-se-á comigo a iniludível
E não haverá tempo para um último tango
Porque as mãos sobre o peito já não poderão falar.
Se eu morrer amanhã morrerei feliz
Porque a noite sempre será a minha amiga
Sua voz estará sempre sussurrando ao meu ouvido:
- Valeu, poeta!
..............................
TRIBUTO A SAFO
Safo é considerada a maior poetisa grega do gênero lírico, talvez a primeira escritora do sexo feminino a marcar a literatura ocidental. Era muito respeitada e apreciada durante a Antiguidade, sendo considerada "a décima musa". Ela nasceu na ilha de Lesbos, situada no nordeste do Mar Egeu, provavelmente na cidade de Mitilene, em meados do ano de 612 antes da Era Comum. Apesar da notoriedade de sua obra, seu alto teor de erotismo provocou na Era Medieval a censura de sua poética, o que infelizmente resultou na perda de grande parte dos seus textos (queimados pela Igreja Católica). Raros fragmentos sobreviveram ao longo do tempo.
A profunda desilusão sofrida com a perda da aluna e amante Átis deu início à fase mais rica de sua poética, principalmente com o poema Adeus a Átis, considerado uma de suas composições mais perfeitas: simples e sóbrio. Algumas lendas narram que, em idade mais avançada, ela teria voltado a se apaixonar por homens. Sua obra e sua figura sofreram intenso preconceito ao longo da História.

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