sexta-feira, 25 de março de 2016

HUMANITAS Nº 46 – ABRIL DE 2016 – PÁGINA QUATRO

O terrorismo cristão no mundo (Parte 1)
Especial para o Humanitas
 Pedro Rodrigues Arcanjo-  Olinda/PE

Semelhança com o atual fundamentalismo islâmico não
 é mera coincidência
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O cristianismo é realmente a única ideologia capaz de dividir com o fascismo e o nazismo o pódio dedicado às ideologias mais mortíferas da humanidade. Infelizmente, até hoje continua sendo a ideologia dominante em vários países ocidentais.
O cristianismo aboliu a liberdade de religião existente no Império Romano e depois juntou milhares e milhares de cadáveres mundo afora.
Os seguidores dessa ideologia massacraram milhões deinfiéis, hereges, feiticeiras e indígenas”, e depois resolveram se matar entre eles próprios, levando a Europa às guerras mais ferozes que o Velho Continente conheceu.
Tal ideologia proclama que só existe um deus e que ele é único, onipotente e amoroso e todos os seus seguidores se consideram melhores que o resto da humanidade, ou seja, melhores que aqueles que não acreditam nesse deus.
Antes dessa ideologia, o Império Romano garantia a liberdade de culto. O paganismo, o ateísmo e a razão dominavam.
Até que determinados setores criaram do nada um sujeito, que, segundo a lenda, resolve fundar uma seita que proíbe o culto de outros deuses, menos o dele. Nessa história, o tal sujeito termina sendo morto numa cruz, mas a seita se expande com êxito.
Nem mesmo Stalin conseguiu superar o culto feito à personalidade do Cristo fundador dessa seita. Esse fundador é proclamado “verdadeiro homem e verdadeiro e único Deus”.
Todas as pessoas que duvidam desse fato mágico são imediatamente chamadas de hereges, sendo perseguidas e mortas. A partir do século IV da era comum, os cristãos começam a matar em massa os não-crentes.
A intolerância religiosa dos cristãos, que visam, desde o início, impor um “único deus”, começa logo a atrair a atenção da justiça romana, que defende a liberdade de culto, um dos pilares dessa sociedade complexa e multicultural que é o Império Romano dos primeiros séculos da nossa era.
A propaganda cristã inverte sutilmente o fato. Os condenados pela justiça romana são declarados “mártires” e começam a ser venerados, inventando-se a lenda de terem sido executados por se “negarem a renegar a fé”.
Essa mentira deu certo. Mas, na verdade, todos esses ditos mártires foram condenados por desordem e por tentarem impor a intolerância religiosa na sociedade romana.
No ano 312 da nossa era comum os cristãos conseguem finalmente tomar o poder, após uma cruenta guerra civil.
O imperador Constantino assume e “ordena”, através do Édito de Milão, o culto do deus único cristão, dando início, assim, à perseguição religiosa na Europa. Aos poucos, o culto dos outros deuses vai sendo proibido.
Os santuários clássicos são destruídos ou transformados em igrejas cristãs.
No fim do século IV, não haverá mais nenhum templo pagão em toda a bacia do Mediterrâneo.
O imperador Teodósio no ano de 380 da era comum proclama oficialmente o Cristianismo como única “Religião de Estado”.
Porém, ainda serão necessários outros doze anos para que todos os outros cultos sejam definitivamente proibidos.
Uma violenta campanha de destruição de todos os templos e santuários não-cristãos é iniciada por Teófilo (que depois é aclamado santo) no ano de 389 com o apoio do imperador Teodósio que o proclama patriarca de Alexandria.
Ele destrói Alexandria bem como os templos dedicados a Mitríades e Dionísio, o templo de Serapis e a famosa biblioteca.
As pedras dos lugares destruídos serão usadas para edificar igrejas para a nova religião única: a cristã.
Depois, demonstrando ser capaz de perseguir também cristãos quando esses não são 100% ortodoxos, Teófilo e suas tropas atacam e destroem os mosteiros que aderiram às ideias de Orígeno, teólogo cristão que foi declarado herege porque afirmava que deus era puramente imaterial.

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